Conteúdo será debatido ao vivo, dia 25/03, no canal SEI Bahia no Youtube
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) divulga a Carta de Conjuntura referente ao quarto trimestre de 2025, fazendo um balanço da atividade econômica no ano, com uma análise detalhada sobre o desempenho da economia baiana e dos cenários nacional e internacional. O documento precede a apresentação on-line sobre a Conjuntura Econômica, que será realizada pela Coordenação de Acompanhamento Conjuntural da SEI, nesta quarta-feira (25/03), às 14h30, no canal SEI Bahia no Youtube.
As pesquisas mensais referentes ao quarto trimestre indicaram resultados negativos na indústria e nos serviços. Ainda assim, a geração de emprego formal foi significativa e o excelente desempenho da safra de grãos ajudou a sustentar a atividade econômica. Com isso, o PIB da Bahia, calculado pela SEI cresceu 0,2% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2024, o crescimento foi de 2,3%, acima do registrado no Brasil (1,8%). No acumulado do ano, o PIB baiano avançou 2,7%, também superando a taxa nacional, de 2,3%.
Apesar do bom crescimento em 2025, o resultado do quarto trimestre reforça a leitura de que a economia baiana está em fase de desaceleração. Nesse contexto, os cenários captados, por atividade, apontaram movimentos diferenciados com expansão para a agropecuária, comércio varejista e geração de emprego formal, de estabilidade para a indústria e de contração para o setor de serviços e comércio exterior.
Após a queda na produção de grãos em 2024, o IBGE confirmou um crescimento de 12,8% na produção de grãos 2025, beneficiada pelas condições climáticas favoráveis. No que concerne ao acompanhamento da safra pela Conab, a produção baiana de grãos atingiu cerca de 14 milhões de toneladas, 10,9% maior em relação ao ciclo 2023/2024. Com relação à área plantada, houve ampliação de 4,5% na mesma base de comparação, alcançando área de 3,95 milhões de ha. Assim, o rendimento médio do conjunto das lavouras pesquisadas foi de 3,51 t/ha.
O volume de vendas do comércio varejista na Bahia registrou a taxa positiva de 2,7% na comparação com o ano anterior. Apesar do crescimento nas vendas, o ritmo foi inferior ao ano de 2024, dado ao efeito base de comparação, manutenção dos juros elevados, maior endividamento das famílias, e crescimento mais moderado da renda.
A indústria baiana apresentou variação próxima da estabilidade crescendo apenas 0,3% no acumulado do ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na análise dos segmentos da indústria baiana, observa-se crescimento em apenas quatro das 11 atividades no período. As perspectivas de curto prazo não são animadoras para a indústria, diante da política comercial americana, dos juros elevados e da retração do consumidor pela inadimplência e nível de endividamento muito alto.
O volume de serviços na Bahia em 2025 retraiu 1,1%, em relação ao ano anterior. Esse resultado foi inferior à média nacional que registrou crescimento de 2,8%. Três das cinco atividades puxaram o volume de serviços baiano para baixo, com destaque para as atividades de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-3,7%), que contabilizou a variação negativa mais expressiva, seguida pela atividade de Serviços prestados às famílias (-2,2%), depois Serviços de informação e comunicação (-0,4%).
Sob um cenário internacional imprevisível, as exportações baianas somaram US$ 11,63 bilhões em 2025, com queda de 2,3% em relação ao ano anterior, puxado pela queda de 5,8% nos preços médios dos produtos exportados pelo estado. As importações, por sua vez, somaram US$ 9,31 bilhões, também acusando recuo de 12,8%, impactadas pela queda nas compras de combustíveis e pela estabilidade nas aquisições de bens intermediários. O saldo comercial no período foi positivo em US$ 2,32 bilhões.
A conjuntura do mercado de trabalho baiano a Bahia passou a contar com 2.232.149 vínculos celetistas ativos, o que significou uma elevação de aproximadamente 4,41% sobre o quantitativo de 2.137.769 empregos computados no início do ano (estoque de referência) – ou seja, mais 94.380 postos de trabalho no conjunto dos 12 meses de 2025. Dessa forma, ao término do ano, a Bahia concentrava 26,92% e 4,60% do total de empregos com carteira assinada existente na região nordestina e no país, respectivamente – mantendo-se, assim, com o maior volume de vínculos formais do Nordeste e o sétimo maior montante entre as 27 unidades federativas.
De acordo com a PNADC, a taxa de desocupação na Bahia foi de 8,0% no quarto trimestre de 2025, o menor nível de toda a série histórica. Em relação ao terceiro trimestre, houve recuo de 0,5 ponto percentual (de 8,5% para 8,0%), embora essa variação não seja estatisticamente significativa. Ainda assim, o resultado renova o menor patamar já registrado, superando o trimestre imediatamente anterior. Para efeito de comparação, o maior índice da série ocorreu no primeiro trimestre de 2021, quando o desemprego atingiu 21,7% da força de trabalho no estado.
Portanto, mesmo que a economia baiana tenha desacelerado no segundo semestre,
o PIB acumulou um crescimento de 2,7%, ao longo do ano, evidenciando que a dinâmica favorável do mercado de trabalho, as transferências de renda do governo e as contribuições advindas da agropecuária e do varejo ajudaram a compensar os efeitos negativos da política monetária restritiva e da inflação.
Para os próximos trimestres, espera‑se que a manutenção desses fatores positivos seja crucial para evitar uma desaceleração mais intensa da economia baiana, bem como a redução da taxa de juros, que por sua vez depende do desenrolar do conflito no Oriente Médio e de suas consequências nos preços dos combustíveis e do nível da inflação.

