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Safra intermediária de cacau na Costa do Marfim entra em risco com chuvas abaixo da média

Safra intermediária de cacau na Costa do Marfim entra em risco com chuvas abaixo da média

A irregularidade das chuvas nas principais regiões produtoras da Costa do Marfim começa a gerar preocupação no mercado global de cacau, especialmente em um momento decisivo para o desenvolvimento da safra intermediária, que ocorre entre março e agosto.

De acordo com relatos de agricultores ouvidos pela Reuters, os volumes de precipitação registrados na última semana ficaram abaixo da média histórica em diversas áreas do país. O cenário é considerado crítico, já que o período entre abril e o fim de maio é determinante para o enchimento das amêndoas e para a definição da qualidade final da produção.

Na região oeste de Soubré, um dos principais polos cacaueiros do país, o acumulado semanal foi de apenas 10,9 milímetros, cerca de 12,6 mm abaixo da média dos últimos cinco anos. A situação se repete em importantes zonas produtoras do sul, como Agboville e Divo, além da região leste de Abengourou, onde os agricultores relatam calor persistente e falta de chuvas mais intensas.

No centro-oeste, em Daloa, e nas regiões centrais de Bongouanou e Yamoussoukro, a preocupação é ainda maior com o desenvolvimento dos frutos pequenos e médios, que dependem diretamente de umidade adequada para evoluir. Em Daloa, por exemplo, o volume de chuvas foi de apenas 7,8 mm na semana, 13,8 mm abaixo da média histórica.

Apesar das condições climáticas adversas, a colheita segue em intensificação, com agricultores destacando a presença de frutos grandes nas árvores, o que deve garantir volumes razoáveis no curto prazo, especialmente entre maio e junho. No entanto, a continuidade do clima seco pode comprometer tanto o potencial produtivo quanto a qualidade dos grãos nas etapas finais da safra.

“Precisamos de muita chuva daqui para frente, caso contrário, a safra intermediária será curta e de baixa qualidade”, relatou um produtor da região de Soubré, refletindo o sentimento generalizado no campo.

As temperaturas também permanecem elevadas, variando entre 29,1°C e 32,8°C ao longo da última semana, o que intensifica o estresse hídrico das lavouras e aumenta a pressão sobre o desenvolvimento dos frutos.

Eventuais perdas de qualidade na safra intermediária da Costa do Marfim podem impactar diretamente o perfil de moagem e a oferta de manteiga e liquor de cacau nos próximos meses. A evolução climática nas próximas semanas será determinante para confirmar ou não esse risco.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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