Passageiro sugado pela janela de avião: caso parecido já aconteceu com piloto, que ficou 20 minutos 'pendurado' para fora e sobreviveu
Publicada em: 11/07/2026 10:27 -
Boeing 737 da Ryanair precisou fazer um pouso de emergência na Grécia após uma janela quebrar durante o voo. Em 1990, comissários de bordo seguraram comandante de voo da British Airways pelas pernas para que ele não caísse do céu na Inglaterra.
Um voo da Ryanair foi obrigado a realizar um pouso de emergência no aeroporto da Tessalônica, na Grécia, nesta sexta-feira (10) após uma janela quebrar e fazer um passageiro ser parcialmente sugado para fora do avião. O homem foi socorrido e recebeu atendimento médico.
O voo estava programado para ir de Tessalônica para o aeroporto de Memmingen, na Alemanha. Segundo a imprensa europeia, uma peça do motor se desprendeu e atingiu uma janela durante o voo
Ocorrências desse tipo na aviação comercial são muito raras, mas já aconteceram antes. O caso mais famoso é o do voo British Airways 5390, de 10 de junho de 1990.
O agravante, no caso, foi que a pessoa a ser sugada para fora da aeronave não era um passageiro, mas o próprio comandante.
Timothy Lancaster, de 42 anos, ficou cerca de 20 minutos com cabeça e todo o tronco para fora da aeronave, exposto ao vento e a temperaturas baixíssimas. Apesar disso, ele sobreviveu.
O voo 5390 era operado com um avião modelo BAC 1-11 fabricado em 1971, e ligaria a cidade inglesa de Birmingham a Málaga, na Espanha, com 87 pessoas a bordo — 81 passageiros e 6 tripulantes.
A aeronave havia subido a cerca de 5.300 metros de altitude e Lancaster retirou seu cinto de segurança. Os comissários se preparavam para iniciar o serviço de bordo.
Nesse momento, quando o comissário Nigel Ogden abriu a porta da cabine dos pilotos, ele ouviu um barulho muito forte de descompressão explosiva: era o para-brisa frontal esquerdo , do lado de Lancaster, que havia acabado de se descolar.
A cabine se encheu de uma névoa de condensação. O barulho tornava muito difícil a comunicação entre os próprios tripulantes, e mal era possível ouvir o rádio de comunicação com o controle aéreo.
Lancaster foi imediatamente projetado para fora, segurado apenas por seus joelhos, que se prenderam no painel. Livro de bordo e outros objetos voaram para fora do avião.
Ogden imediatamente agarrou a perna de Lancaster, que havia se enganchado no cinto de segurança, para que ele não se desprendesse. Coube ao copiloto, Alastair Aitchison, 39, assumir o controle do BAC 1-11 e declarar emergência.
Aitchinson controlou a aeronave, religou o piloto automático que havia se desligado e desceu o avião controladamente até uma altitude mais baixa para se contrapor à despressurização .
O controle aéreo não entendeu, a princípio, a natureza do incidente, e Aitchinson não conseguia ouvir os controladores.
Até o pouso, não se sabia se Lancaster estava vivo ou morto. Os esforços para impedir que ele se soltasse eram baseados na esperança de que ele sobrevivesse, ams também para que seu corpo não batesse contra o motor ou o estabilizador traseiro, o que poderia derrubar o avião.
Lancaster estava vivo. Ele foi resgatado com fraturas no braço e pulso direitos, além de queimaduras de frio. Seu blazer e camisa haviam sido arrancados pela força do vento.
Ogden também não passou incólume, com queimaduras e um ombro deslocado. Todos os outros ocupantes da aeronave desembarcaram sem ferimentos.
O comandante voltou à ativa e continuou pilotando até sua aposentadoria, em 2008. Já o comissário sofreu de transtorno de estresse pós-traumático e deixou de voar em 2001.
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